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O Mistério do Game Reverso: uma experiência de escuta com impacto e significado

Atualizado: 3 de jun. de 2025

Vamos conversar aqui sobre o processo criativo por trás de “O Mistério do Game Reverso”, um podcast ficcional de 30 minutos criado para crianças de 8 a 11 anos. A história integra um cardápio pedagógico multiformatos, voltado à educação para o trânsito, autocuidado e cidadania.


Podcast infantojuvenil ficcional | Cliente: Green Nation e Arteris | Empresa: Tímpano | 2021
Podcast infantojuvenil ficcional | Cliente: Green Nation e Arteris | Empresa: Tímpano | 2021

A proposta era ousada: transformar temas densos em uma narrativa sonora envolvente, acessível e emocionalmente ressonante — e, acima de tudo, significativa para o público infantojuvenil. O resultado foi um suspense que une o universo dos games e sabedorias ancestrais para criar diversas camadas simbólicas, sensoriais e pedagógicas.


O desafio

Como transformar conceitos como respeito no trânsito, autocuidado e cidadania em uma experiência que realmente conecte com crianças e gere impacto? Como fazer isso sem cair na armadilha do conteúdo moralista ou condescendente?


Essa era a questão central do projeto. Para respondê-la, criei um enredo que traz uma protagonista

de 11 anos e cadeirante, Stella. Ela tem um irmão gêmeo, Nuno, que por sua vez tem um grande amigo cujo apelido é Donga. Há ainda a Mãe dos gêmeos e a gata Mika, que narra a história.


Nela, a aguerrida Stella se prepara há meses para disputar a presidência de um conselho municipal; seu sonho é implementar mudanças em toda a estrutura da cidade que levem em conta a mobilidade das pessoas com deficiência. Mas no dia do último debate, algo sinistro acontece com seu irmão, o Nuno, e com o amigo dele, o Donga. Depois de horas jogando videogame no quarto, Donga sofre uma estranha alteração, que faz com que ele faça e fale tudo como se estivesse sendo rebobinado. Em seguida, Nuno começa a sentir os mesmos sintomas.


Mesmo sem querer – afinal eles vivem brigando – ele pede ajuda à irmã. Stella recorre a um antigo livro onde encontra indicações fundamentais para uma vida saudável – e, para casos como esse que tem em mãos. Mas o tempo corre depressa, e ela precisará resolver esse enigma, ajudar os dois correndo um sério risco de perder grande debate.



Como eu construí essa experiência

Camada 1: Storytelling simbólico e emocional

O ponto de partida foi a criação de personagens com profundidade e propósito. Stella não é uma heroína “apesar” de sua deficiência — ela é forte, ativa, idealista e cheia de camadas. Sua deficiência faz parte de sua realidade, mas não a define. Ela sonha, erra, hesita e age. Seu desejo de transformação urbana revela, de forma simbólica, o próprio conceito de cidadania planetária, tão caro à Green Nation.


Já o irmão gêmeo, Nuno, representa o oposto complementar: bagunceiro, impulsivo, distraído. O conflito entre os dois não só move a narrativa, mas permite trabalhar o valor do autocuidado, um dos pilares desejados pela marca Arteris.


As charadas que surgem no caminho — e que Stella precisa resolver para salvar os meninos — são conectadas aos quatro elementos da natureza, cada um vinculado a uma dimensão do autocuidado:


  • 💧 Água: cuidado emocional

  • 🌱 Terra: cuidado físico

  • 🔥 Fogo: cuidado espiritual

  • 🌬 Ar: cuidado social (aqui ativado pela música)


A quinta chave, descoberta por meio da gata Mika, é a alegria — o elo entre todos os cuidados e o retorno à vida em harmonia.


Camada 2: Design sensorial e ambientação sonora

Como a escuta era o único canal sensorial disponível, cada detalhe sonoro foi desenhado para transmitir espaço, tempo e afeto. O roteiro trouxe marcações claras de:

  • Ambiente físico (sons dos quartos, do bairro, do relógio, da cadeira de rodas de Stella, do sino dos ventos etc.)

  • Clima emocional (ruídos abafados, silêncios estratégicos, sons em reverso para marcar o “efeito do game”)

  • Ritmo narrativo (contraponto entre tensão e alívio, ação e contemplação)


Essa ambientação construiu uma imersão poderosa para crianças, que puderam visualizar o mundo mesmo sem vê-lo — e se identificar com ele.


Camada 3: Trilha sonora como elo emocional

As trilhas originais foram compostas com base em indicações específicas minhas no roteiro. Cada momento exigia uma emoção: misticismo, leveza, tensão gamer, superação. A música ajudava a traduzir o que não era dito — e conduzia as viradas narrativas com sutileza.


Impacto e estudo de caso

O impacto desse projeto foi tão significativo que decidi transformá-lo em objeto de análise para meu TCC na pós-graduação em Influência Digital: Conteúdo e Estratégia (PUC-RS). A pesquisa investigou como narrativas sonoras com personagens humanizados e conflitos simbólicos podem potencializar o valor de marca na podosfera e gerar influência real junto ao público.

A nota foi máxima. Mas mais importante do que isso foi confirmar, com profundidade e método, aquilo que o processo criativo já revelava: quando criamos histórias com verdade, empatia e propósito, deixamos de apenas informar — e começamos a transformar.


Para quê criar um podcast a mais, se podemos criar aquele que transforma?

O Mistério do Game Reverso é mais do que um podcast: é um exemplo de como o storytelling pode ser usado para educar, emocionar e fortalecer laços entre marcas e pessoas — mesmo (e especialmente) quando falamos com crianças.






Como roteirista e UX Writer, acredito que histórias sensoriais, simbólicas e acessíveis são uma ferramenta potente para criar experiências de escuta com impacto e significado.


Um 😘 e um 🧀 , inté!

Mona

 
 
 

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