IA e Acessibilidade: UX Writing com foco em inclusão no Instituto Alce
- Monalisa Vasconcelos
- 3 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Durante minha atuação como UX Writer no Instituto Alce, um dos meus focos principais era trazer mais acessibilidade e inclusão para os conteúdos do site institucional, de modo que as mensagens pudessem de fato alcançar públicos diversos e refletir os valores reais da marca.
Afinal, o instituto se dedica ao desenvolvimento humano e à equidade no acesso à educação e ao trabalho. Com base em princípios de justiça social, ele atua junto a públicos historicamente vulnerabilizados e em situação de desigualdade.

O desafio
Apesar do engajamento do Instituto com causas sociais, a comunicação escrita não refletia esse mesmo nível de acessibilidade. Os conteúdos apresentavam:
Frases muito longas e complexas
Vocabulário abstrato ou técnico demais
Ausência de estratégias inclusivas básicas de linguagem
Isso dificultava a compreensão por parte dos usuários atendidos pela ONG e também por apoiadores que desejavam entender melhor os projetos. Era urgente identificar as barreiras e propor melhorias com base em evidências técnicas e princípios de linguagem simples.
O que eu fiz
Etapa 1: Avaliação com IA InBoarding
Para sustentar as decisões com dados objetivos, utilizei a ferramenta InBoarding, uma IA online e gratuita que avalia acessibilidade de conteúdo com base nas diretrizes do CNPq e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Analisei os principais textos do site — como Quem somos, Qualificação socioprofissional, Integração ao mundo do trabalho, entre outros — e identifiquei padrões que comprometiam a compreensão:
Palavras muito longas
Frases com múltiplas orações
Falta de clareza nos verbos
Dificuldade de leitura para pessoas surdas, autistas, disléxicas ou com baixa escolaridade

Análise do conteúdo "Quem Somos" pela IA InBoarding
Etapa 2: Reestruturação das recomendações com foco em linguagem simples
Com base nos resultados, criei um conjunto de recomendações práticas de reescrita, priorizando:
Frases curtas e diretas
Sujeito claro + verbo forte + complemento
Eliminação de abstrações e jargões
Uso de linguagem neutra e não capacitista
Adição de exemplos concretos e metáforas visuais, quando possível
Além disso, destaquei a importância de revisar conjugação verbal pensando na legibilidade por meio de Libras — ponto que apareceu como barreira na IA InBoarding.

Etapa 3: Integração à cultura da equipe
Apresentei os resultados e recomendações em um encontro interno com a equipe, propondo que a acessibilidade linguística se tornasse parte da rotina de produção de conteúdo do time de UX.
A ideia foi demonstrar que escrever de forma simples e inclusiva não é empobrecer o conteúdo — é expandir o alcance e aprofundar a experiência. A partir disso, os princípios da DAI (Diversidade, Acessibilidade e Inclusão) passaram a ser levados em conta nas revisões de conteúdo.

Resultado
A avaliação com IA gerou dados concretos que ajudaram a convencer a equipe da importância do tema. As recomendações foram bem recebidas e integradas ao processo de reestruturação textual da ONG, gerando conteúdos mais claros e acessíveis. O Instituto deu início a uma cultura de escrita inclusiva, com impacto direto na experiência do usuário final.
Esse projeto mostrou como o UX Writing pode ir além da interface: ele se torna uma ferramenta de transformação social quando coloca a linguagem a serviço da inclusão.
Um 😘 e um 🧀 , inté!
Mona



Comentários