Gente como a gente: criando o avatar Belle
- Monalisa Vasconcelos
- 9 de jun. de 2025
- 4 min de leitura
Como o uso de voz e tom me ajudou a desenvolver a personagem humanizada para o Belle app.

Imagine lidar todos os meses com um turbilhão de sintomas físicos e emocionais, sem saber exatamente o que está acontecendo com seu corpo — e sem encontrar escuta ou orientação adequada nem mesmo entre profissionais de saúde. Essa é a realidade de muitas pessoas que convivem com o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM).
Dentro desse cenário delicado, criar um produto digital que acolhe, informa e transforma exige mais do que bons dados: exige empatia. E foi assim que nasceu Belle, uma personagem humanizada que atua como guia, mentora e versão futura curada da própria usuária dentro do app.
Neste post, conto como desenvolvi a personagem Belle, unindo frameworks de tom e voz com técnicas de storytelling, para criar uma experiência digital mais significativa, acolhedora e motivadora para pessoas com TDPM.
Por que criar um personagem empático faz diferença?
No coração de qualquer boa experiência de usuário está a conexão humana. Quando lidamos com condições de saúde estigmatizadas ou mal compreendidas — como o TDPM — essa conexão se torna ainda mais essencial. As usuárias que acessam o Belle app não estão apenas buscando informações. Elas buscam reconhecimento, acolhimento, e principalmente: sentir-se vistas e compreendidas.
É aqui que entra o poder dos personagens.
Inspirada por referências do storytelling, como a fala da TEDx speaker Kelly Parker — “Histórias são as mais poderosas forças do planeta para conectar, convencer e influenciar nossas formas de pensar, crenças e comportamentos" — desenvolvi um universo narrativo dentro do app, com vozes distintas que traduzem dados em histórias. E no centro disso tudo está Belle.
Quem é Belle?
Belle é uma personagem não-binária que usa pronomes femininos. Ela representa a versão futura e curada da usuária — uma espécie de mentora empática que já enfrentou os altos e baixos da TPM/TDPM e agora compartilha aprendizados. Sua presença no app é marcante: a cada nova etapa ou desafio, a usuária encontra Belle em pílulas de conteúdo, reflexões e sugestões práticas.

Belle aparece sempre no passado, narrando o que ela já superou. Isso não só reforça a ideia de que o sofrimento atual pode passar, como também modela a esperança. Cada fala de Belle é pensada para evocar identificação, motivação e autorreflexão.
"Nesse app, eu sou sua amiga e guia. Pensa em mim como uma mentora próxima e confiável. Eu tô aqui como alguém que já passou pelo que você tá passando agora com o TDPM. Em essência, eu sou uma história de sucesso - a sua história de sucesso do futuro. Isso não é demais?" - Belle
Como construí a voz e o tom da Belle
Para garantir consistência e impacto emocional, utilizei um framework de tom com quatro eixos principais: Formalidade, Humor, Respeito e Entusiasmo.

1. Formalidade: Relaxed Casual
Belle fala como uma amiga próxima. Nada de jargões técnicos ou instruções robotizadas. A linguagem é leve, acolhedora e informal — mas nunca desleixada.
💬 "I remember when I realized how attention could change the game with my PMS symptoms. Wild, right?"
2. Humor: Playful
O humor de Belle é sutil e leve, usado com delicadeza mesmo nos momentos difíceis. Ele funciona como uma válvula de escape emocional.
💬 "It's kinda funny how in those challenging times, the good stuff can play hide and seek. But guess what? I became a pro at seeking!"
3. Respeito: Íntima & Compassiva
Belle nunca diminui a dor da usuária. Pelo contrário, ela compartilha vulnerabilidades de forma íntima, criando uma ponte emocional baseada em empatia e experiência.
💬 "I've been in those shoes, losing sight of the little joys. But, you know, those tiny moments? They truly shine when you look for them."
4. Entusiasmo: Altamente Motivadora
Cada fala é uma pequena injeção de confiança. Belle celebra descobertas e empodera a usuária a fazer o mesmo.
💬 "Once I learned to shift my focus on purpose, oh boy, did I discover some hidden gems! And you can too!"
Storytelling aplicado à experiência de saúde da mulher
Inserir um personagem como Belle dentro de um app de saúde mental e hormonal é mais do que uma escolha estética. É uma decisão estratégica e afetiva. Belle quebra a frieza dos dados, humaniza a jornada e devolve agência à usuária. Ela representa não um ideal inalcançável, mas uma versão possível de si mesma. E isso, para quem vive o isolamento de um transtorno como o TDPM, pode ser profundamente transformador.
Além disso, o uso de storytelling melhora a retenção de informações, aumenta a adesão às atividades e reforça a sensação de pertencimento — elementos fundamentais para criar uma experiência digital significativa.
Conclusão: personagens importam (e muito)
No desenvolvimento do Belle app, criar a personagem Belle foi uma peça-chave para traduzir empatia em experiência. Mais do que uma “voz do app”, ela é uma companheira de jornada — e um lembrete constante de que a cura, mesmo que parcial, é possível.
Em tempos de hiperautomação, trazer humanidade para o centro do design é um ato de cuidado. E quando falamos de saúde feminina, autocuidado e TDPM, isso faz toda a diferença.
Um 😘 e um 🧀 procê, inté!
Mona



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